A Mesquita Vermelha de Aksaray — o minarete torto dos seljúcidas no coração da Anatólia Central
A Mesquita Vermelha de Aksaray — um dos raros monumentos da Turquia que surpreende não pela grandiosidade nem pelo luxo, mas pelo seu próprio caráter rebelde. No centro da pequena cidade anatólia de Aksaray, entre os minaretes habituais, ergue-se uma torre de tijolo, visivelmente inclinada em relação à vertical — por isso foi apelidada de Eğri Minare, «Minarete Curvo». A Mesquita Vermelha de Aksaray recebeu o seu nome graças ao tom quente do tijolo vermelho com que o seu minarete foi construído, e o próprio complexo guarda a memória do apogeu do Sultanato Seljúcida de Ruma. Aqui, entre as ruas do bazar e as cháikhanas, o viajante encontra não uma atração turística, mas um elemento vivo da vida urbana — uma testemunha de oito séculos que ainda hoje convoca à oração.
História e origem da Mesquita Aksaray Vermelha
O minarete, que se tornou o símbolo do monumento, remonta à época dos seljúcidas da Anatólia e data de 1221–1237 — ou seja, do reinado do sultão Alaeddin Keikubad I. Foi uma época em que o Sultanato Seljúcida de Ruma vivia o seu apogeu: o comércio pelas rotas das caravanas prosperava, construíam-se grandiosos caravançarais, madrasas e mesquitas, e nas cidades da Anatólia nascia uma estética reconhecível feita de tijolo, pedra e azulejos vidrados. A Mesquita Vermelha de Aksaray surgiu precisamente neste ambiente, quando Aksaray era um importante entroncamento entre Konya — a capital do sultanato — e a Capadócia.
A própria cidade de Aksaray, naquela época, tinha um nome semelhante ao atual e era cercada por muralhas. Por ela passavam caravanas de mercadores, nas madrasas estudavam teólogos e os governantes construíam mesquitas, sublinhando a sua devoção. A construção do minarete de tijolo vermelho tornou-se uma espécie de marco visual da cidade: o viajante, ao aproximar-se vindo de Konya ou Kayseri, distinguia de longe o seu corpo avermelhado contra o fundo das ruas de barro. Segundo fontes turcas, o minarete foi concebido como um farol alto e chamativo — uma imagem que os arquitetos seljúcidas procuraram recriar em várias ocasiões.
A mesquita que hoje se ergue ao lado do minarete surgiu muito mais tarde. Ao contrário da primeira impressão, o minarete e a mesquita não constituem um projeto único do século XIII: as fontes afirmam explicitamente que o edifício adjacente da mesquita foi construído posteriormente, enquanto o próprio minarete é um autêntico monumento da época seljúcida. Assim, o complexo visual que o turista vê hoje é uma sobreposição de épocas: um antigo pilar de tijolo e uma sala de oração mais recente, unidos por um pátio comum e um destino comum.
No século XX, o minarete, que permaneceu centenas de anos no solo macio da cidade da Anatólia, começou a inclinar-se visivelmente em relação à vertical. A inclinação deu origem a uma alcunha popular — «Minarete Tortuoso», Eğri Minare, sob a qual o monumento é muito mais conhecido pelos locais do que pelo seu nome oficial. Em 1973, a ameaça de desabamento tornou-se tão real que os engenheiros tomaram medidas de emergência: o minarete foi amarrado com cabos de aço para impedir que continuasse a inclinar-se e preservar a estrutura. Esta operação salvou a torre, que continua de pé, lembrando simultaneamente a herança seljúcida e a fragilidade de qualquer maravilha criada pelo homem.
Arquitetura e o que ver
À distância, a Mesquita Vermelha de Aksaray parece enganosamente modesta: uma torre de tijolo, um pequeno edifício ao lado, um pátio tranquilo. Mas quanto mais se aproxima, mais nítidos se tornam os detalhes característicos do estilo seljúcida, que tornam o monumento verdadeiramente valioso para quem aprecia a arquitetura do período islâmico inicial na Anatólia.
Minarete: tijolo vermelho e cálculo preciso
O minarete assenta numa base quadrada de pedra, que se transforma num corpo cilíndrico esguio. Esta transição de um pedestal quadrangular para um corpo redondo é uma solução clássica dos mestres seljúcidas: garante estabilidade e, ao mesmo tempo, cria uma silhueta reconhecível. Todo o corpo é feito de tijolo vermelho cozido e foi precisamente graças à sua cor que o monumento recebeu o seu segundo nome — Kyzyl Minare, «Minarete Vermelho». À luz do sol poente, a torre brilha literalmente com um tom de cobre enferrujado, e torna-se compreensível por que razão os viajantes do século XIX a comparavam com carvão retirado da fornalha.
O corpo cilíndrico é dividido em duas partes por uma fina faixa perfilada — a silme. A parte inferior é decorada com um padrão característico em ziguezague, formado por tijolos dispostos de maneira especial: trata-se de uma técnica conhecida nos monumentos seljúcidas de Konya e Sivas. O piso superior é decorado com um mosaico de azulejos azul-esverdeados — o mosaico chini —, aqueles mesmos azulejos turquesa cintilantes que se tornaram o cartão de visita de toda a arquitetura seljúcida da Anatólia. Quando o sol incide no ângulo certo, o mosaico colorido brilha com manchas de turquesa intenso sobre o fundo de tijolo quente, e todo o minarete transforma-se num contraste vivo entre o fogo e a água.
A inclinação e os cabos de aço
A principal característica, pela qual muitos vêm até aqui, é, naturalmente, a inclinação notável. A inclinação é bem visível a olho nu: o corpo inclina-se para o lado, lembrando a famosa «irmã» de Pisa, e foi precisamente este desvio que deu origem ao nome local de Eğri Minare. Os cabos de aço, instalados em 1973, envolvem a parte superior do minarete e fixam-no, impedindo-o de cair. Para os puristas da arquitetura, trata-se de uma intervenção drástica, mas foi precisamente graças a ela que a torre do século XIII chegou até aos nossos dias.
A mesquita vizinha e o contexto urbano
A mesquita vizinha, construída posteriormente, apresenta um estilo mais sóbrio: uma sala de oração modesta, um pátio tranquilo e alguns degraus que conduzem à entrada. Está em funcionamento até aos dias de hoje, e o muezim sobe regularmente para o chamado à oração — o som do azan, refletido nas paredes da cidade velha, transforma a visita ao monumento num pequeno espetáculo da Anatólia. À volta — o cenário típico de Aksaray: o bazar, a rua das sombrinhas, a torre do relógio, os cafés com chá turco em copos em forma de tulipa, tudo a uma curta distância a pé.
O estilo seljúcida e o seu lugar na linha arquitetónica
Para apreciar verdadeiramente o monumento, é útil colocá-lo mentalmente ao lado de outros minaretes seljúcidas da Anatólia da mesma época. Os mestres do século XIII gostavam de brincar com a cor e a textura: tijolo vermelho alternando com alvenaria de pedra, esmalte turquesa, ziguezague geométrico, cornijas em forma de estalactites — tudo isto são técnicas suas reconhecíveis. No minarete de Aksaray, estes elementos estão reunidos numa forma concisa, quase esquemática. Aqui não há a decoração exuberante das grandes madrasas de Konya, mas está presente a própria essência do estilo: tijolo rítmico, faixa silme, mosaico çini, forma cilíndrica esguia. Para o viajante que planeia um grande itinerário pelo património seljúcida — Konya, Sivas, Erzurum —, a Mesquita Vermelha de Aksaray torna-se uma excelente «página de introdução» a esta estética: aqui é possível observá-la de perto, sem multidões e sem entrada paga.
Fatos interessantes e lendas
- Os habitantes locais não chamam ao monumento pelo nome oficial, mas sim de Eğri Minare — «Minarete Tortuoso». Por isso, é mais fácil dizer isso mesmo ao taxista em Aksaray: qualquer menção a Eğri Minare levá-lo-á imediatamente ao destino sem explicações desnecessárias.
- Segundo uma lenda urbana, o minarete inclinou-se de tristeza: quando soube que tinham construído uma torre semelhante em Pisa, ele teria-se inclinado para «olhar para a rival». Esta explicação humorística circula em Aksaray desde o século XX e é frequentemente repetida pelos guias locais.
- A cor vermelha do corpo da torre não é tinta nem revestimento: é a tonalidade natural do tijolo queimado, característica da arquitetura seljúcida do século XIII. É precisamente por isso que, ao contrário de muitos monumentos restaurados, o minarete conserva a sua aparência histórica autêntica.
- Os cabos de aço, instalados em 1973, foram inicialmente concebidos como uma medida temporária, mas tornaram-se parte integrante da silhueta. Hoje são vistos como uma «cicatriz da época», lembrando que os monumentos sobrevivem graças à intervenção humana.
- O minarete e a mesquita não foram construídos simultaneamente: o verdadeiro monumento seljúcida é o próprio minarete, datado de 1221–1237, enquanto o edifício da mesquita ao lado surgiu mais tarde. Esta «idade composta» do complexo é característica de muitas cidades antigas da Anatólia, onde os monumentos foram sendo ampliados com novas partes ao longo dos séculos.
Como chegar
Aksaray está localizada na Anatólia Central, num ponto estratégico entre a Capadócia, Konya e o Lago Tuz. A cidade não possui um aeroporto de grande dimensão, pelo que os viajantes costumam aterrar em Nevşehir (NAV) ou Kayseri (ASR) — ambos a 1,5–2 horas de carro. Outra opção é voar para Ancara (ESB) e, a partir daí, seguir para sul: a viagem demora cerca de 3 horas pela autoestrada.
A forma mais conveniente é utilizar o autocarro interurbano: a rede turca de otobüs liga perfeitamente Aksaray a Konya, Ancara, Kayseri e Nevşehir. A estação rodoviária Aksaray Otogar fica nos arredores da cidade e, de lá, pode-se apanhar um dolmuş urbano ou um táxi até ao centro; a viagem demora 10 a 15 minutos. Não há comboios para Aksaray propriamente dito, pelo que o comboio é uma opção apenas com transbordo em Konya.
Dentro da cidade, a forma mais fácil de chegar ao monumento é a pé: a Mesquita Vermelha de Aksaray fica mesmo no centro, junto à praça principal, à torre do relógio e à famosa Rua dos Guarda-chuvas. Se estiver hospedado num hotel na cidade velha, a caminhada até ao minarete demora, no máximo, 10 a 15 minutos. Qualquer táxi o levará em poucos minutos até à morada Eğri Minare.
Dicas para o viajante
A melhor altura para visitar é a primavera (abril-maio) e o outono (setembro-outubro), quando na Anatólia Central não há o calor escaldante do verão nem os ventos de inverno vindos do planalto. No verão, durante o dia, a temperatura pode subir acima dos 30 °C, e há pouca sombra junto ao minarete, por isso vale a pena planear a visita para a manhã ou para as horas que antecedem o pôr-do-sol — ao mesmo tempo, obterá as imagens mais bonitas: ao pôr-do-sol, o tijolo vermelho brilha literalmente. No inverno, Aksaray é ventoso e fresco, podendo nevar — mas o minarete com o seu «boné» branco fica particularmente fotogénico.
A mesquita está em funcionamento, pelo que se aplica o código de vestuário habitual: as mulheres devem cobrir a cabeça com um lenço e cobrir os ombros e os joelhos; os homens não devem entrar de calções. Durante as cinco orações diárias, é melhor os turistas esperarem do lado de fora — o chamado à oração ouve-se perfeitamente ao pé do minarete e, por si só, torna-se parte da experiência. A entrada no recinto é gratuita, não sendo necessários bilhetes especiais.
Reserve 30 a 40 minutos para visitar o monumento: contorne o minarete, observe de perto o ziguezague e o mosaico turquesa, entre no pátio da mesquita e tire algumas fotos de diferentes ângulos. Isso é suficiente para sentir a atmosfera. Depois, faz todo o sentido integrar a visita num percurso urbano único: a torre do relógio, a rua dos guarda-chuvas, o bazar da cidade, o museu de Aksaray. Em meio dia, consegue facilmente percorrer o centro histórico e ainda tem tempo para tomar um chá com pekmez local numa das cháikhanes.
Aksaray é muito conveniente como ponto intermédio de um grande itinerário pela Anatólia Central: muitos viajantes param aqui entre a Capadócia e Konya ou a caminho do Lago Tuz e do caravançarai Sultanhan, situado a meia hora de carro. Se vier do oeste, faz sentido combinar a visita com a exploração de Sultanhan — o maior caravançarai seljúcida da Anatólia, ideológica e estilisticamente semelhante ao seu minarete. A Mesquita Vermelha de Aksaray não impressiona pela sua dimensão, como a Hagia Sofia ou a Mesquita Azul, mas é precisamente nisso que reside o seu encanto: trata-se de um monumento autêntico e despretensioso do século XIII, que existe não para os turistas, mas para a sua cidade — e, por isso, o seu encontro é ainda mais valioso para o viajante atento.